A Mulher
Mulher
Nas águas frescas do rio
Vamos ter peixes imensos
Que darão o sinal do
Fim do mundo talvez
Porque vão dar cabo da mulher
A mulher que embeleza os campos
A mulher que é o fruto do homem
Oh peixe voador, acaba com a rusga
Porque a mulher é o ouro do homem
Quando ela canta até parece
A viola do fadista bem afinada
Quando ela morrer cortarei
O cabelo dela para livrar-me do pecado
O cabelo da mulher será o cobertor
Do meu caixão, quando outro Artista
Me chamar lá no Céu para me pintar
O seio da mulher será a minha almofada
O olho da mulher abrirá-me o caminho do Céu
A barriga da mulher vai me nascer lá em cima
Quando subir aos Céus
Malangatana, 1960
Comments (0) 03.03.2010. 17:13
Não posso adiar o coração
Não posso adiar o amor
Não posso adiar o amor para outro século
Não posso
Ainda que o grito sufoque na garganta
Ainda que o ódio estale e crepite e arda
Sob montanhas cinzentas
E montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço
Que é uma arma de dois gumes
Amor e ódio
Não posso adiar
Ainda que a noite pese séculos sobre as costas
E a aurora indecisa demore
Não posso adiar para outro século a minha vida
Nem o meu amor
Nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração
António Ramos Rosa
Poetas Portugueses
O sitio dos “Poetas do Barreiro”, todos os meses irão fazer a divulgação de um poema de autor português, abordando várias temáticas. Escolhemos para o passado mês de Janeiro o tema do “Amor”, com a poesia “Não posso adiar o coração” de António Ramos Rosa.
Colabore e se decidiu escrever sobre este tema, envie que nós temos todo o gosto em publicar. Até breve.
15.02.2010. 11:18
