Quem sou?
Quem sou? Talvez água presa num açude,
O mítico sussurro dos montados,
A força, o sangue, no sulco dos arados?
Sou filho da planície nobre e rude!
Esta sede de infinito não me ilude,
Vivo na terra dos sonhos doirados,
Sou nobre e senhor, desço aos povoados
Onde tudo é Nobre e Senhor, amiúde.
Trago no peito herança Moirama
Minha tez morena rejubila e clama,
Meu alfange antigo já foi dum romano.
Sou tão criança como o sol nascente, Lisboa, 16 de Junho de 1993
Tão velho e triste como o sol poente,
O eco de ti próprio, Alentejano!
Manuel Manços
Lisboa, 16 de Junho de 1993
Manuel Manços
20.12.2009. 18:27
