Notas

O sitio dos poetas do Barreiro

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Na noite dos capitães

Grassava miséria e fome
Neste Povo atraiçoado,
“Que elas tinham amansado”
Como besta que se dome.
Queimavam-lhe até o nome
Nas torturas mais estranhas,
Arrancavam-lhe as entranhas
Nas mais sinistras prisões
E elas em faustos serões,
Ébrias de orgias mundanas.

Naquela noite tão longa
De incultura e de fascismo,
De trevas e profundo abismo,
Como a dor que se prolonga,
Elas em tenaz delonga
Roubavam os filhos às mães.
Matavam, tiravam pães,
Aos órfãos que a guerra feria.
Mas o sangue acabaria,
Na Noite dos Capitães.

Espalhavam medo e terror,
Com algemas e mordaças
Bebiam juventude em taças
Como ao mais doce licor,
Que era sangue, era suor,
Nas guerrilhas africanas,
Tão cruéis, tão desumanas,
Que aos naturais escravizavam
E o possesso reino alimentavam
Das mais vis bestas humanas.

Despontava a madrugada,
Quando os soldados mais bravos
C’as espingardas deram cravos
À multidão desprezada.
Nascia nova alvorada
Sem algemas nem prisões
E o Povo c’os capitães
Esmagaram com valentia
O cancro que os corroía
E fazia dos homens cães.

Manuel Manços

29.12.2009. 13:55