Notas

O sitio dos poetas do Barreiro

Este é um espaço de partilha e divulgação dos trabalhos em poesia e prosa poética de todos os barreirenses que pretendam colaborar e usufruir desta possibilidade posta à sua disposição. Enviar os poemas para: Poetasdobarreiro (arroba) cooperativacultural.com

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Jogos de água

Águas que saltam dos canos
Como se fosse das fontes
São águas sem horizontes
Que brincam com seus enganos.
Em soluços sobre o lago as
Camélias aspergem mágoas
Dias e dias e anos.

Castelos, palácios, luxos,
Músicas de sonhos idos
Que mal roçam os ouvidos,
Duendes, mouras, e bruxos,
Bolhas, cristais irisados
E sentimentos melados
Desprendem-se dos repuxos.

Cânticos celestes, hinos,
Ecoam nas águas claras.
Plangem saudades do mar as
Harpas, flautas e violinos.
Entre fontes e regatos,
Ninfas fazem desacatos
Nas pilinhas dos meninos.

Sapos engolem, num trago,
Os murmúrios das sereias.
Como líquidas areias,
Lágrimas tangem o lago.
Sem amargura nem dor
Poetas fingem amor
Num largo gesto de afago.

Só quando o sol desfalece
Afogando-se na noite,
O vento brande o açoite
E o pesadelo aparece.
Náufragos da voz perdida
Roem a côdea da vida
Que não sabem se amanhece.

Calaram-se as águas. Nada
Importa além do futuro.
Gotas de orvalho no muro
Deixam a pedra molhada.
E, em cada gota que corre,
Dorme um sol que nunca morre,
A esperança da madrugada.

Carlos Domingos

17.12.2009. 12:27