Havemos de lá chegar
Crescia-se,
no temor das patrulhas
rigorosamente vigiando,
no medo
da cavalaria em formação cerrada
matraqueando as pedras, bramindo,
no silêncio assustado
da noite e da madrugada.
Medrava-se,
no pavor
dos tanques e carros de assalto,
lagartas roendo as ruas, esmagando,
e a alma da ganilha
amarfanhada em sobressalto.
Despertava-se,
na resistência,
no trabalho e na luta esforçada,
colectivamente construídos, unindo,
vontade de transformar o mundo e
a vida ruim, tutorada.
Calaram-se finalmente e
as velhas vozes soçobraram
no desígnio dos soldados
que redimindo,
avançaram.
Os cravos desabrocharam
O rio enrubesceu de vermelho Sol
da esperança dos que em Abril
tentaram.
Havemos de lá chegar!
Armando Sousa Teixeira
01.01.2010. 21:52
