Deserdado
Fruto do acaso, dum nefando espasmo,
Dos raros prazeres de quem nada tem
Tu vieste ao mundo, obra do desdém,
Triste, fruto triste dum maldito orgasmo.
De boca faminta caminham teus passos,
Calcando os espinhos que a vida detém
Chafurdas na lama, sem olhares ninguém
Contam-me amarguras os teus olhos baços.
Vegetas irmão, como qualquer bicho,
Envolto em miséria procuras no lixo
Teu magro sustento, horrores pr’a comer.
Sob os trapos sujos, teu corpo é nojento,
Nos cartões da cama e teu aposento,
Nem crês que alguém assim te faz viver?
Manuel Manços
26.12.2009. 21:40
