casa vazia
a casa está vazia
fria
a lareira apagada
inchada
de silêncio
as cadeiras junto às paredes
encostadas
oferecem memórias vagas
numa gaveta
alguns objectos usados
uma carteira
uns brincos
sóis de trazer nas orelhas
pendurados
a pequena navalha
preto o cabo
que sempre trazia consigo
cortava vida aos pedacinhos
pão e chouriço
e pequenos copos de vinho
sobre os móveis molduras
felizes os rostos
a sorrir
o pó do tempo
tudo começa a cobrir
agora
quando regresso
àquela casa
que me viu nascer
é sempre assim
não há ninguém à espera
para me receber
só o silêncio
lembranças
um certo jeito
de olhar
finissima agulha
no peito
a espetar
Rosalina Carmona
27.01.2010. 01:39
