Barreiro, terra bendita
Vila outrora vermelha e impulsionadora.
Cidade agora e sempre progressista e trabalhadora,
Terra de muitos e variados encantos.
Berço de homens ilustres de muita cultura,
Interessante, humanizada e pura
E viveiro de alguns heróis e santos.
O Barreiro foi outrora Moscovo de Portugal
E como ele pouca terra havia igual.
Foi o grande farol da Liberdade,
Da Fraternidade e da Igualdade.
Barreiro, terra bendita,
Incompreendida, mal considerada,
De gente humilde e sossegada
E às vezes de graça infinita.
Barreiro, terra industrial e comercial,
De gente multissecular e plurirracial,
É Povo de grandes tradições
E de muitas contradições.
Pois o Barreiro, como cidade democrata plural,
É terra de comunistas,
Cristãos, pagãos e socialistas,
Democratas e antifascistas.
E também foi e é de fascistas.
Barreiro, Povo exaltado e verdadeiro
Bastante companheiro, amado e ordeiro.
O Barreiro tem gente com nível afinal:
É simultaneamente cultural e acultural.
O Barreiro tem gente de várias terras
Que tem alegrias, faz muita paz e não guerras.
Por isso é gente mais heterogénea
Do que gente homogénea.
E finalmente o Barreiro é terra de proletários,
Artistas, cantores, poetas, músicos, desportistas,
Futebolistas e operários.
E também muitas vezes
De pequenos, médios e grandes burgueses.
Armando Mendes
Do livro “Razões das razões e razões dos corações”
Barreiro, 23 de Setembro de 1989
14.12.2009. 22:17
