As democracias nas capoeiras do meu país
Reprovam-se as greves dos pardais
Refreiam-se os discursos das gaivotas
Separam-se os porcos dos demais
E o pato fala
E a minhoca mirra
E o galo não gala
E o grilo espirra
E não se cala.
Depenam-se as cores das andorinhas
Reforçam-se os anéis do pombo e pomba
Esvaziam-se as cristas das galinhas
E a coelha sua
E a cadela cora
E a vaca amua
E a mosca chora
E fica nua.
Estripam-se as poses de dom pavão
Conspurcam-se os carreiros das formigas
Revoltam-se os piolhos do mundo cão
E o melro adoece
E o burro esfria
E o morcego desce
E o cavalo mia
E o medo aquece.
E a noite vai
E o dia vem
E a paz é sonho
E a guerra é mãe!
João Saraiva
22.12.2009. 20:32
