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O sitio dos poetas do Barreiro

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A “PRENDA” DE NATAL

O olhar recai sobre o estranho volume no bolso do casaco.
É Natal, será um presente?
Avidamente, tacteia o volume.
Os seus contornos ao tacto,
A forma que sente,
Parece uma prenda.

Olha novamente,
E vê!
Não, não é um presente.
Então compreende.

O estranho volume,
É, afinal a prova da traição.
Viva,
Indesmentível,
Gritante,
Brutal,
Crava-se na carne,
Como um punhal.

O chão desaparece,
Cambaleia.
Pernas tremulas,
As lágrimas, incontroláveis,
Escorrem,
Lentamente
Pelo seu rosto precocemente envelhecido.

A dor é lancinante,
A humilhação latente,
A indignação arrasadora,
A constatação devastadora,
A traição, a mentira, a indignidade,
a frieza, a insensibilidade,
estão ali, perante os seus olhos.

As borboletas, que há meses
Habitam no seu corpo,
Executam em estranho e diabólico bailado,
Concretizando a derradeira convicção:
Afinal,
Ali estava a
Prenda de Natal!

Selma Santos, 18 de Dezembro de 2009

21.12.2009. 22:31