Alburrica

"Quem vem atravessa o rio."
Na ponta de terra, entrando no rio, erguem-se, simultaneamente altaneiros e humildes, os Moinhos de Alburrica.
Parecem emergir das águas calmas do Tejo.
A distância engana o olhar, e eles surgem-nos como se fossem pequenos.
Quando o barco se aproxima, quase que é possível tocar-lhes.
Desfaz-se a ilusão do olhar.
Afinal, são grandes.
As suas paredes, as suas mós, parecem contar a sua história.
A história de um povo que aqui viveu, trabalhou, lutou.
É fácil imaginar as pessoas que ali viviam.
O moleiro a executar, diariamente a sua rotina.
As mulheres, ombreando com os homens,
Ajudam a carregar os sacos de cereais.
As crianças a brincar na praia à volta dos Moinhos.
As ondas provocadas pelo navegar do barco,
Morrem,
Lentamente na praia.
De noite, a imagem é deslumbrante.
Os moinhos emanam uma mensagem quase mística.
As luzes desenham um caprichoso bailado de cor,
Reflectem-se nas águas do rio,
Formando um desenho quase mágico
Enchendo de alegria,
Inexplicável, aqueles que ali pousam o olhar.
Assolam-nos sentimentos difusos,
Paz, beleza, tranquilidade.
E a sensação, mesmo antes de o barco atracar,
De que chegámos a casa.
Alburrica é assim.
Quando avistamos os Moinhos,
Estamos, finalmente, em casa!
Selma Santos,
31.12.2009. 00:44

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