CANÇÃO PARA UM PESCADOR
- Há mais de meio século, assim
cantaríamos a cada pescador desta terra. -
Ruma à praia Pescador,
O teu barco está na água,
Nela está teu grande amor
Onde choras cada mágoa.
Guinda a vela, Pescador!
A maré já beija a areia
E no barco é linda a vela
A vogar o dia inteiro.
Tua vida é a tua dor
Tão cheia de maré-cheia,
Vives do que vive nela
E nela és sempre o primeiro.
Pesca, pesca, Pescador!
O teu barco nunca deixe
Navegar para mar alto
Teu notável destemor.
Com ele pesca o bom peixe,
Não vivas em sobressalto.
Pesca, pesca, Pescador!
No teu barco belo e forte
A dura faina é fervor,
O rio Tejo o teu norte,
O teu crer um esplendor;
A pesca um jogo de sorte.
Pesca, pesca, Pescador!
Ousa, insigne Pescador,
O teu querer contém asas,
Desmedido é o teu valor
Por chegar às nossas casas
O fruto do teu labor.
Pesca, pesca, Pescador!
Oh! Pescador desta Terra,
Homem nobre e de vigor,
Os nossos rios são um mar
Onde a virtude se encerra.
Pesca, pesca, Pescador!
O teu destino é pescar!
Ago. 2006-1176
Fernando Faria
01.03.2010. 20:30
VOANDO…
Voando sobre um louro campo de trigo
Te digo que saltes para as asas do meu sonho
E te balances ao sabor de suaves brisas
De ruas lisas, fazendo amor sem o ar tristonho
Com que por vezes ofuscas o brilho do olhar !...
Voando sobre multidões opacas, em tumulto,
Sem forma, sem vulto, sem tempo para pensar…
Voando te ofereço este poema de liberdade
De saudade, de quimeras e pensamentos comuns …
Oh vida de silêncio que há muito te persigo
Solta as amarras e vem voar comigo !...
Ângelo Gomes
28.02.2010. 02:11
CARNAVALINHO
Nestes dias de festança,
Eu desejo a toda a gente
Que no brincar tenham esperança
De que o amanhã é diferente.
P’ra Mestre de sala ou poeta,
A festa é sonho e alegria
E com papel e caneta
Os versos são fantasia.
Nas ruas fazem cortejos
E mentem nos Parlamentos
Em tempo de Carnaval
Os cavalos são jumentos.
No Barreiro também há festa
Muitas cores e magia
E todos se manifestam
Com redobrada alegria.
Uns mascaram-se, outros não.
Há os sempre mascarados
Que no meio da confusão
Pensam andar disfarçados.
Pois que sejam Carnavais
Todos os dias do ano
Porque assim até os ossos
Ficam cheios de tutano.
Que se tenha nesta quadra
Alegria num fartote
Brinquem todos, aproveitem
Porque eu vou dar o pinote.
ARFER, 13.02.2010.
28.02.2010. 02:09
LÁGRIMAS...
Senti-te sofrer em noites de pranto
Senti-te esconder debaixo do manto
Senti-te viver sem corpo e sem alma...
Lágrimas de dor que geram revolta
Impulsos famintos de uma raiva à solta
Que tanto me dói e me tira a calma
Teus olhos de água que falam comigo
Tuas mãos cruzadas perto do umbigo
Tua voz meiga de rosa imperial...
Lágrimas que banham tua face branca
Que te dilaceram como quem te espanca
E se me transmitem de forma brutal
Batam-me, sujem-me, levem-me o sorriso
Cortem-me o passo, destruam-me o piso,
Levem-me à falésia, mostrem-me o alçapão...
Arranquem-me os dedos, levem os anéis
Mostrem-me um estojo mesmo sem pincéis
Exibam-me tudo, mas tuas lágrimas... NÃO
Ângelo Gomes
28.02.2010. 02:07
RELÓGIO DE FLORES
O silêncio perfura a memória
seduzindo o perfil sensível
do gesto vencido
ainda a lua e a loucura
da partida pela madrugada
da tristeza
a avidez da procura
e o desejo
do encontro prometido às cinco rosas da tarde
num dia do mês de lírios
em outonos de setembro
junto ao sonho.
P. Clé - 1974
28.02.2010. 02:04

