Barreiro, terra bendita
Vila outrora vermelha e impulsionadora.
Cidade agora e sempre progressista e trabalhadora,
Terra de muitos e variados encantos.
Berço de homens ilustres de muita cultura,
Interessante, humanizada e pura
E viveiro de alguns heróis e santos.
O Barreiro foi outrora Moscovo de Portugal
E como ele pouca terra havia igual.
Foi o grande farol da Liberdade,
Da Fraternidade e da Igualdade.
Barreiro, terra bendita,
Incompreendida, mal considerada,
De gente humilde e sossegada
E às vezes de graça infinita.
Barreiro, terra industrial e comercial,
De gente multissecular e plurirracial,
É Povo de grandes tradições
E de muitas contradições.
Pois o Barreiro, como cidade democrata plural,
É terra de comunistas,
Cristãos, pagãos e socialistas,
Democratas e antifascistas.
E também foi e é de fascistas.
Barreiro, Povo exaltado e verdadeiro
Bastante companheiro, amado e ordeiro.
O Barreiro tem gente com nível afinal:
É simultaneamente cultural e acultural.
O Barreiro tem gente de várias terras
Que tem alegrias, faz muita paz e não guerras.
Por isso é gente mais heterogénea
Do que gente homogénea.
E finalmente o Barreiro é terra de proletários,
Artistas, cantores, poetas, músicos, desportistas,
Futebolistas e operários.
E também muitas vezes
De pequenos, médios e grandes burgueses.
Armando Mendes
Do livro “Razões das razões e razões dos corações”
Barreiro, 23 de Setembro de 1989
14.12.2009. 22:17
PENSANDO NO TEMPO
Pensando no TEMPO…
Mas que Tempo???
Que espaço, que volume,
Que distância tem o Tempo?
Alguém sabe quanto Tempo tem o Tempo?
O Tempo passa, o Tempo voa, o Tempo tarda.
Não há tempo para pensar no Tempo,
nem sentir a importância do Tempo
em cada um de nós.
Se todos temos um Tempo diferente,
e temos dele uma noção desigual.
Se na espera o tempo se prolonga
e nos bons momentos é lesto.
Se a vida é intensa o Tempo é curto.
Afinal o que é o Tempo,
Senão o parecer dos nossos sentidos.
O Tempo é uma estrada, onde a
Velocidade é variável.
É o princípio e o fim,
Onde o presente e o passado
Se confundem com o futuro.
Contudo o Tempo existe,
Tem uma dimensão uniforme e variável,
Tal qual a Identidade de cada Homem.
ARFER….1990
02.10.2009. 13:01
CAMINHOS DO FUTURO
Na Rua do “Silêncio”, entre olhares,
gestos de afecto e ternura, fomos crescendo.
Havia em nós um forte desejo de mudar.
Em frente, na Travessa da “Espera”,
onde morava a dona Prudência,
que nos disse para irmos devagar,
com cuidados e muita paciência.
Lá fomos de mão dada caminhando,
Na procura do futuro que era nosso.
Encontrámos outra Rua, era a da “Esperança”.
Ali havia claridade e muitas cores,
nas varandas e portais múltiplas flores e
rostos risonhos, que foram alimento dos nossos sonhos.
Passando ao largo da Rua da “Saudade”, onde num muro,
estavam escritos os caminhos do futuro.
Lá fomos abraçados, rua acima e
vimos uma praça com flores de verdade.
As pessoas entoavam canções e sorriam.
Estávamos na Praça da “Liberdade”.
E logo outra Avenida que tinha o mesmo nome,
Onde vimos tanta gente feliz, mais mil.
Então perguntei: - “Que dia é hoje??”
Então milhares de vozes responderam:
“É VINTE E CINCO DE ABRIL”!!!
ARFER - 1976
01.10.2009. 22:15
A MINHA RUA
- A minha rua é uma rua qualquer
- É uma rua do mundo, onde há
homem e mulher;
- Também crianças brincando e
onde se aprende a viver.
- Onde o sonho é fantasia, é uma
esperança a crescer.
- É grito de liberdade, na espera
do que há-de vir
- Com Sol e estrela da tarde, que
aguarda a noite cair.
-A minha rua é de gente, onde
a palavra é amiga
- Onde se aprende, cantando
um hino de amor à vida.
ARFER
27.09.2009. 23:50

