Sou do Barreiro
Sou do Barreiro e trago
Neste peito que é vosso
Aquele Barreiro sagrado
Que apesar de mal tratado
Não se vende a qualquer preço
Estou aqui para vos dizer
Sem receio e com firmeza
Que os versos que sei fazer
São filhos da natureza
São filhos da própria vida
Nascidos da própria terra
Feitos de fonte erguida
Pela paz e contra a guerra
Estou aqui para vos dizer
Sem qualquer ressentimento
O medo ficou lá fora
E se o poeta chora
Canta e ri ao mesmo tempo
Estou aqui para vos dizer
Com toda a sinceridade
Gosto muito de aqui estar
No meio de tanta amizade
E apetece-me gritar
Viva pois a liberdade
Lenine
18.12.2009. 16:21
TERRA MÃE
Barreiro, terra da minha paixão
Eu te louvo, por ti canto esta cantiga
Barreiro, trago-te no coração
Serás sempre a mais linda terra amiga.
Teus moinhos, tuas areias, tuas vinhas
Que há tanto tempo tinhas
Em que o Tejo se encantou
Ribeirinha, foste vila, és cidade
Recebeste com amizade
Tanta gente que chegou
Barreiro, foste a terra prometida
Deste povo que chegou de toda a parte
Barreiro, foste a mãe mais querida
Desta gente, desde o Norte ao Algarve
São teus filhos, que te lembram com carinho
De ti fizeram seu ninho
Aldeia de pescadores
Quis o tempo, que muitos outros gerasses
Que em cidade te tornasses
De poetas sonhadores
Quis o tempo, que muitos outros gerasses
Que em cidade te tornasses
De poetas sonhadores
Letra e música: Lina Soares
18.12.2009. 00:47
Jogos de água
Águas que saltam dos canos
Como se fosse das fontes
São águas sem horizontes
Que brincam com seus enganos.
Em soluços sobre o lago as
Camélias aspergem mágoas
Dias e dias e anos.
Castelos, palácios, luxos,
Músicas de sonhos idos
Que mal roçam os ouvidos,
Duendes, mouras, e bruxos,
Bolhas, cristais irisados
E sentimentos melados
Desprendem-se dos repuxos.
Cânticos celestes, hinos,
Ecoam nas águas claras.
Plangem saudades do mar as
Harpas, flautas e violinos.
Entre fontes e regatos,
Ninfas fazem desacatos
Nas pilinhas dos meninos.
Sapos engolem, num trago,
Os murmúrios das sereias.
Como líquidas areias,
Lágrimas tangem o lago.
Sem amargura nem dor
Poetas fingem amor
Num largo gesto de afago.
Só quando o sol desfalece
Afogando-se na noite,
O vento brande o açoite
E o pesadelo aparece.
Náufragos da voz perdida
Roem a côdea da vida
Que não sabem se amanhece.
Calaram-se as águas. Nada
Importa além do futuro.
Gotas de orvalho no muro
Deixam a pedra molhada.
E, em cada gota que corre,
Dorme um sol que nunca morre,
A esperança da madrugada.
Carlos Domingos
17.12.2009. 12:27
Gostosamente
És nascente
De deslumbrante rio cristalino
Revolto
Em tempestade de desejos
Socalcados
Numa cachoeira de beijos
De boca sensual
Deslizante
Num lago-represa de ternura,
Desprendido
Em catarata de gemidos dissolutos
Na retomada
De teu curso amoroso,
Desembocado
Na enseada de entrechocados termos lascivos,
Desaguando
Num oceano sumptuoso
De profundo prazer.
António Costa
17.12.2009. 12:25
Poema de Abril
Abril tu foste uma rara semente…
Que alguém semeou num campo de tempo agreste
Com lágrimas de silêncio e dor foste regada
Em dias de vento sombrio que só tu conheceste
Mas crescias na alma da gente em cada noite e madrugada
Um dia soprou em ti um vento certo e forte
E na terra da gente a semente floresceu de sul a norte…
Enfeitada de esperança de amor feito aos molhos
Nas mãos do povo eram cravos vermelhos de feliz sorte
Abril de primavera desabrochou a liberdade conquistada
E nos cravos é a saudade eterna que ficou…
Em cada alma… e no peito gravada.
Luísa Maria Nunes Assucena
17.12.2009. 12:17

