Olhares sobre o Rio Tejo
Olhares sobre o Rio Tejo
Vem de mansinho, calmo e sereno,
Escorre no seu leito verdejante,
Como se fora pequeno,
Mais adiante, revolta-se,
Envolve-se com as suas margens
Galgando-as furiosamente,
Implacável.
Transpõe os seus limites,
Invade casas, ruas, leva à sua frente,
Vidas e bens, gente,
O seu rugido invade tudo à sua volta,
Deixando os corações em sobressalto.
Por onde passa,
Deixa um rasto de dor,
Lama,
Tristeza,
Mágoa.
No dia seguinte, ressurge
Lindo, majestoso,
Inofensivo como um gatinho,
Parece ronronar no seu leito,
E, calmamente segue o seu curso,
Retomando o seu destino,
Permitindo que os que lhe sobreviveram
Se alimentem dele, das suas águas.
Dando vida,
É o Tejo.
Selma Santos
03.03.2010. 00:16

